A osteoartrose é a doença mais comum nos ambulatórios médicos da especialidade, sendo responsável pela incapacidade laborativa de aproximadamente 15% da população adulta do mundo. No Brasil ocupa o 3º lugar na lista dos segurados da Previdência Social que recebem auxílio-doença, ou seja, 65% das causas de incapacidade, sendo apenas superada pelas doenças mentais e cardiovasculares.
Osteoartrose lombar é a alteração destrutiva das cartilagens e do aparelho capsulo-ligamentar das articulações decorrente de um processo degenerativo não-inflamatório, relaciona-se ao processo de envelhecimento dos tecidos da articulação, hábitos e tipos de trabalho. A cartilagem articular, que se encontra mal vascularizada e nutrida principalmente por embebição no líquido sinovial, perde progressivamente a sua elasticidade, desseca-se, desgasta-se, expõe o osso epifisário; essa necrose da cartilagem articular aparece nos pontos em que a pressão se apresenta máxima (facetas articulares). Os sintomas aparecem quando ocorre lesão do osso e do aparelho cápsulo-sinovial. Os locais mais acometidos são de L2 a L4, e de L5 e S1.
No início, observam-se manchas amareladas de necrose da cartilagem articular; a destruição do aparelho de deslizamento é acompanhada de lesões ósseas, na forma de faixa de osteosclerose nas zonas de apoio, e de osteófitos em torno da articulação. A sinóvia apresenta-se espessada e forma franjas que podem tornar-se cartilaginosas e cair no espaço articular. A rigidez é devida à fibrose retrátil das cápsulas articulares e à fibrose muscular.
A partir dos 30 a 35 anos aproximadamente 50% das pessoas adultas apresentam alterações articulares degenerativas compatíveis com OA, e após a quinta década praticamente toda a população dessa faixa etária. No entanto, apenas parte dessa população apresenta queixa clínica, permitindo distinguir entre a chamada "Artrose muda" e a "Artrose doença" isto é aquela que exige tratamento.
A "artrose muda" foi denominada assim porque apesar da presença de degeneração cartilaginosa física ou morfológica das superfícies articulares é clinicamente assintomática, observando-se, quanto muito, crepitação articular eventual e/ou ligeira limitação da mobilidade. Este tipo de dano articular foi interpretado no passado por alguns autores como simples senescência. No entanto, o estudo do envelhecimento articular apesar dos resultados controversos vem demonstrando a existência de diferenças bem evidentes com o processo osteoartrítico. Por outro lado, o processo senil evolutivo não justifica por si só o cortejo clínico observado nos pacientes portadores de OA, fato que nos leva a admitir a existência de outros fatores ou causas no processo degenerativo articular primário.
A transição da "artrose muda" para a forma "ativa" ou para "artrose-doença" pode resultar da interação da sobrecarga articular (excesso de peso corporal, defeitos posturais, sobrecarga mecânica pela prática inadequada de certos esportes etc.), hipermobilidade ou de outros fatores adicionais, denominadas de fatores irritativos (lesões traumáticas, infecções focais articulares, influência hormonal e/ou vascular, stress ou hipersensibilidade as condições metereológicas, etc.). Fisiopatologia
O fator patogênico na osteoartrose é o aumento da atividade enzimática. A agressão dos condrócitos determina a liberação das enzimas proteolíticas dos lisossomos, que posteriormente alteram a matriz cartilaginosa próxima da superfície, facilitando a penetração dos constituintes do fluido sinovial
As perdas da elasticidade e as alterações na lubrificação articular representam falhas nas contenções de forças compressivas e representam um estímulo para proliferação dos condrócitos e aumento da síntese de condroitinsulfato. Necrose celular e erosões ocorrem em áreas onde as forças tornaram-se excessivas com a destruição excedendo o reparo.
Tem algumas discussões, procurando diferenciar as alterações na cartilagem articular que ocorrem como componente normal do envelhecimento e aquelas encontradas na doença articular degenerativa.
Classificação
Consideram-se dois tipos:
Primária ou idiopática Secundária: relacionada a processos traumáticos e/ou inflamatórios aos quais sobreveio a OA (exemplo: Osteoartrose pós-trauma, ou artrite infecciosa, doença reumatóide, necrose asséptica, doenças neurológicas etc.).
Sinais Pontos doloridos nas margens da articulação; Sensibilidade exagerada na articulação; Edema articular; Crepitações (atritos); Derrame intra-articular; Movimentos restritos e dolorosos; Atrofia muscular periarticular; Enrijecimento da articulação; Instabilidade articular.
Quadro Clínico
As queixas mais freqüentes são rigidez de curta duração e matutina, e dor localizada ou radicular secundárias às alterações degenerativas dos discos intervertebrais, das articulações inter-apofisárias posteriores. A dor radicular pode estar relacionada à compressão de raiz nervosa por osteófitos ou por prolapso de um disco intervertebral degenerado podendo associar-se a parestesias, alterações sensitivas e de reflexos osteo-tendíneos na área de distribuição da raiz afetada. O espasmo reacional da musculatura paravertebral contribui significativamente para a piora do quadro clínico.
A dor pode irradiar-se para a virilha, região anterior da coxa, face medial da perna até o hálux. Os músculos abdominais e glúteos com freqüência apresentam-se fracos.
Diagnóstico
O diagnóstico depende basicamente da história, da avaliação clínica e é complementada por métodos de imagem, sendo a radiografia a mais utilizada. Outros como a tomografia computadorizada, ressonância magnética e ultra sonografia utilizam-se de maneira mais restrita.
E outros exames complementares costumam ser normais, como as provas de atividades inflamatórias, utilizadas para afastar outras artropatias.
Prognóstico
A osteoartrose não tem cura, mas não leva a risco de vida, tanto na forma primária quanto na secundária, mas com uma boa dieta, exercícios e bom senso, podemos melhorar a mobilidade articular atingida, evitar atrofia e deformidades.
Achados Radiológicos
Permite o reconhecimento dos achados macroscópicos. Kellgren estabeleceu critérios radiológicos para o diagnóstico da OA.
Presença de osteófitos; Diminuição do espaço articular; Esclerose subcondral; Deformidades.
Tratamento
A terapia para OA inclui se necessário tratamento farmacológico, que são prescritos através de um medico, e principalmente fisioterápico. Neste o profissional irá utilizar todo o seu conhecimento para proporcionar ao paciente um alívio dos sintomas, uma melhor atitude postural e assim uma melhor qualidade de vida, utilizando técnicas de terapia manual, osteopatia e também através da reabilitação postural. Alem de instruir o paciente a tomar alguns cuidados durante o dia adia.
Bibliografia:
www.reumatologia.com.br/doe4.htm
www.usp.br/fm/departamento/clinmed/reumatologia/d-artic.php
THOMPSON, ª Fisioterapia de Tidy, 3ª ed. SP, Livraria Santos, 1998.
KISNER, Carolyn. et al. Exercícios Terapêuticos – Fundamentos e Técnicas, 3ª ed, SP, Manole